Se teatro é a arte do encontro, dá para dizer que eu encontrei e desencontrei muitas pessoas.
Dentre estas pessoas, está a Laura. Laura era produtora do TUSP de Piracicaba.
Foi uma das experiências mais felizes para mim e para o meu grupo. Era um projeto de circulação pelos TUSP (teatro da usp) do interior.
Levamos a peça "Dias de Campo Belo", cuja operação de luz era feita por mim. Não ganhamos nenhum dinheiro por isso, contudo, havia a Laura e tudo de legal que ela arrumou pra gente em Pirassununga e Piracicaba.
No primeiro dia ficamos no alojamento da USP de Pirassununga e dividi o quarto com ela. De todas as vezes em que tive que dividir quarto com alguém em alguma viagem teatral esta foi a melhor.
Laura era um doce, sempre disposta a nos ajudar e dividir conosco suas experiências. Laura era a mãe da Selene, uma menina muito fofa que não podia pintar as unhas das mãos porque estudava em um colégio que era contra a massificação.
Laura foi minha mãe por três dias, a prepa como os meninos e eu gostávamos de chamar. Laura nos apresentou pesssoas incríveis, arrumou um restaurante com uma comida muito gostosa e dois técnicos de luz maravilhosos que eu adorei fazer parceria.
Laura aqueceu meu coração e me deixou feliz por ser do teatro - sim, há pessoas legais no teatro.
Quando fomos embora com o coração apertado, dissemos que voltaríamos. Nunca pude voltar.
A última notícia de Laura que recebi foi que a Laura pegou a rodovia dos bandeirantes e foi fazer saudade.
O palco daqui ficou mais vazio mas imagino que onde você estiver, Laura, há muita luz sobre você.
Marcadores
- Cartas (1)
- Crônicas (6)
- Experimentos (2)
- Histórias (2)
- Não literários (1)
- Sentimentos (2)
- Textos do meu diário (1)
Mostrando postagens com marcador Histórias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Histórias. Mostrar todas as postagens
sábado, 14 de abril de 2012
quarta-feira, 4 de abril de 2012
“Ta difícil ser eu sem reclamar de tudo”
Essa história de oposição começou cedo na família Guanaes que residia naquela época, um sobradinho de aluguel numa rua de paralelepípedos da Vila Medeiros, que outrora, fora uma fazenda, guardando o seu quê de província, o que depois viria a ser um problema para a protagonista deste texto que na verdade, eu, a autora, não sei bem como terminar.
Nasceu no inverno de 1990 mesma época de sua mãe, muitas vezes escutou “Depois de você ninguém mais lembrou-se do meu aniversário!”. Canceriana com ascendente em leão, algo muito controverso, tendo em vista que a criança era tímida e extrovertida ao mesmo tempo. Era menina mas gostava de azul. Lutou pelo direito ao azul desde a época dos brinquedos de montar feitos de plásticos que ao serem pisados doíam o pé. Pediu muitas vezes um skate no dia das crianças, usava o chinelo do Senninnha que apenas os meninos tinham. Usava boné para trás e bermudão. Odiava cabelo solto. Aquele carrinho de controle remoto que nunca veio. Depois de muito tempo, o pai abriu mão de sua companhia na missa. Ela dormia enquanto o padre falava, sentada no primeiro banco, chegando até a babar.
- Como assim, largar o ballet? Depois de tantos anos?
- Meu negócio é o teatro, oras.
Os caras mais velhos, sete anos mais velho no mínimo e não se fala mais nisso. Decididamente, matemática não. Se for para continuar na escola estudando isso, eu prefiro morrer!
Líder negativa aos 17, chamada na coordenação. Acusação: Dizia não querer fazer as lições e todo mundo deixava de fazer também. Estudou na mesma escola durante 15 anos de sua existência, todo mundo te conhece e você não tem tantos amigos. – Tenho critério em minhas escolhas – foi o que ela disse.
No cursinho essa parte aflorou mais. Amiga do cervejeiro, do evangélico que virou cervejeiro, do outro que também virou cervejeiro e das sapas. Aula de redação, o caralho. Cerveja e bilhar.
- Como assim francês na faculdade? Mas você nem sabe inglês...
3ª chamada. Nossa você vai estudar aqui? E trabalhar? Largar o teatro? Vender xerox com o namorado. E ele precisa morar aqui por um mês, tudo certo? Cama de solteira para dois, escrivaninha para dois, 2 aos 20. Depois, mudança para perto do metrô, finalmente.
Energético no café da manhã, banho frio, unhas azuis roídas, rocknroll, blues.
Ansiosa, nervosa, estressada. – Eu achava você marrenta antes de te conhecer, depois vi que você era uma fofa.
Cigarros sim, mas mentolados, cravados e sem tragar, odeia cheiro de cigarro.
Sempre se lembra da professora de artes dizendo – Estou falando isso, porque gosto de você, você sabe que eu gosto de você, mas você vai sofrer muito porque fica dando a sua opinião!
Ela sofre muito, mas esses roxos e cicatrizes não importam. “Pelega” é uma palavra pouca perto de tudo que já aconteceu em 21 anos.
Nasceu no inverno de 1990 mesma época de sua mãe, muitas vezes escutou “Depois de você ninguém mais lembrou-se do meu aniversário!”. Canceriana com ascendente em leão, algo muito controverso, tendo em vista que a criança era tímida e extrovertida ao mesmo tempo. Era menina mas gostava de azul. Lutou pelo direito ao azul desde a época dos brinquedos de montar feitos de plásticos que ao serem pisados doíam o pé. Pediu muitas vezes um skate no dia das crianças, usava o chinelo do Senninnha que apenas os meninos tinham. Usava boné para trás e bermudão. Odiava cabelo solto. Aquele carrinho de controle remoto que nunca veio. Depois de muito tempo, o pai abriu mão de sua companhia na missa. Ela dormia enquanto o padre falava, sentada no primeiro banco, chegando até a babar.
- Como assim, largar o ballet? Depois de tantos anos?
- Meu negócio é o teatro, oras.
Os caras mais velhos, sete anos mais velho no mínimo e não se fala mais nisso. Decididamente, matemática não. Se for para continuar na escola estudando isso, eu prefiro morrer!
Líder negativa aos 17, chamada na coordenação. Acusação: Dizia não querer fazer as lições e todo mundo deixava de fazer também. Estudou na mesma escola durante 15 anos de sua existência, todo mundo te conhece e você não tem tantos amigos. – Tenho critério em minhas escolhas – foi o que ela disse.
No cursinho essa parte aflorou mais. Amiga do cervejeiro, do evangélico que virou cervejeiro, do outro que também virou cervejeiro e das sapas. Aula de redação, o caralho. Cerveja e bilhar.
- Como assim francês na faculdade? Mas você nem sabe inglês...
3ª chamada. Nossa você vai estudar aqui? E trabalhar? Largar o teatro? Vender xerox com o namorado. E ele precisa morar aqui por um mês, tudo certo? Cama de solteira para dois, escrivaninha para dois, 2 aos 20. Depois, mudança para perto do metrô, finalmente.
Energético no café da manhã, banho frio, unhas azuis roídas, rocknroll, blues.
Ansiosa, nervosa, estressada. – Eu achava você marrenta antes de te conhecer, depois vi que você era uma fofa.
Cigarros sim, mas mentolados, cravados e sem tragar, odeia cheiro de cigarro.
Sempre se lembra da professora de artes dizendo – Estou falando isso, porque gosto de você, você sabe que eu gosto de você, mas você vai sofrer muito porque fica dando a sua opinião!
Ela sofre muito, mas esses roxos e cicatrizes não importam. “Pelega” é uma palavra pouca perto de tudo que já aconteceu em 21 anos.
Assinar:
Postagens (Atom)