sábado, 26 de maio de 2012

Hendrix

Eu acordei de mau humor hoje, meu querido. Eu estou que não me aguento.
Não, não é uma tpm. Isso é coisa da modernidade.
Eu não teria capacidade de perceber que os peitos incham e as espinhas aparecem caso não soubesse quando entro naqueles dias. Não sei quando isso acontece, portanto. Sei que a cota deste mês já foi. Então, gosto mais de ser "de lua" do que ter uma "contratempo" moderno.
Acordei cedo mais uma vez, darei conta da pilha de louça enquanto escuto teus acordes, tua voz.
Obrigada por vir me visitar hoje.
Estamos passando por tempos difíceis.

*Inicio aqui a nova série deste blog com esta republicação do meu blog pessoal.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Sobre a maturidade.


Eu já fui uma grande revolucionária, também. Minha mãe trocava a minha fralda, trazia o tetê, ligava a tv no desenho e quando algo não estava bom eu reivindicava aos berros mais chocolate no toddynho. Mais tarde, eu pedia paralisação imediata, esse era o meu único instrumento de luta, então, eu abria a porta e gritava: - Pronto, mãaaae!. E aí ela vinha me limpar. Quando ela não aceitava minhas condições de revolução, eu fazia piquete: Espalhava todos meus brinquedos pela casa. E eu ficava bravinha quando ela pedia (não tão gentilmente) para que eu guardasse tudo. Eu também gritava, batia as portas e fazia minha liberdade de expressão na parede. Se trancou no quarto com o papai? Eu chuto a porta e ocupo.
Não gostava da escola, fazia birra e batia o pé. Eu dormia nas aulas, a mensalidade era eles que pagavam afinal de contas.
Meus professores eram todos uns assalariados, burgueses, neoliberais e pós modernos.

Hoje em dia fazer a revolução tornou-se difícil: Tenho que pagar por todas as revoluções feitas por mim.

(Achei este texto perdido na área de trabalho do computador, não ia publicar porque ele é muito diferente dos outros textos deste blog e acho até que destoa um pouco. Contudo, um dia, vou separar os textos em páginas, dividindo-os por gêneros e assuntos, então, a diversidade também é bem-vinda.)

Cada vez menor.


Uma garoa fina que insiste em cair nesta manhã inibindo a organização de meus tortuosos pensamentos.
Ela dorme em meus braços, com a respiração ofegante, sem se importar com mais nada.
Os carros derrapam na aquaplanagem do fim da ladeira fazendo barulho.
Um dia como todos os outros dias, tantos outros dias.
Assim sempre, sempre assim, assim tem sido.
Não é um motivo para chorar.
Depois chega o sol.
Assim espero.
É, espero.
Sorrio.

(A estrutura deste texto é em escada, ou seja, ela começa com linhas maiores e vai diminuindo como se fossem degraus. Aqui não foi possível deixar com esta configuração)

terça-feira, 22 de maio de 2012

Eu não quero perder o equilíbrio.

Escrever era a única salvação que havia para que pudesse escapar da forca, portanto.
Escrevia até que seus dedos ficassem em carne viva.
E doía. Não podia chorar de dor, portanto escrevia.

Nuvem negra.


Quando chegou, o colchão estava no corredor, com mais pontos de mofos do que outrora.
- O que aconteceu, aqui? - ela perguntou incrédula. - Choveu e entrou água dentro do seu quarto.
Aquele quarto. Passou alguns tantos infelizes anos de sua vida ali.
O chão cheio d'água e a cabeceira descascando, havia bebido muita água, a pobre.
- Por que não me avisaram? Olha o estado desta cabeceira! Ela está destruída.
- Nós já chamamos alguém para ver isso.
- Mas e a cabeceira? O colchão? Eu não tenho dinheiro para comprar outra cabeceira e outro colchão!
- Eu te compro outros!
Dinheiro nunca havia sido o problema por ali, na verdade. O problema era como este dinheiro vinha sendo aplicado nos últimos 10 anos.
Mudou os móveis e as coisas de lugar muitas vezes por causa da água da chuva que insistia em descer pelas paredes, pingar do teto ou entrar pela porta.
Dessa vez, percebeu, teria que encontrar por fim lugares definitivos. Para as coisas, pessoas e lembranças existentes ali.

A história de Beethoven e sua pedra no rim.


Quando conheci Beethoven, ele era um rapaz que eu encarava com alguma estranheza e encanto porque ele é diferente dos outros rapazes mas é igualzinho ao rapaz que eu idealizava em meus sonhos mais profundos.
Houve uma época muito triste em que eu não encontrava Beethoven porque ele tinha cólicas renais e não ia para a faculdade, portanto.
Eu olhava com algum desespero para fora da sala 1, esperando que ele aparecesse e por vezes ele não aparecia. Ele estava muito longe.
Hoje Beethoven está muito perto. E isso me deixa feliz todos os dias ao acordar e antes de dormir. Aqui na toca do escorpião é tudo muito simples. Beethoven fica escondidinho dentro dela quando sente dor no rim.
Todavia, agora as coisas são diferentes. Ainda com a dor no rim, eu posso abracá-lo.
Posso abraçá-lo e chamá-lo de meu.