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segunda-feira, 20 de maio de 2013
Morre Ray Manzarek, tecladista do The Doors, aos 74 anos
Pensando
no Ray Manzarek e em como este cara está eternizado por aquele som de
teclado característico e pela obra que ele deixou com The Doors. Tenho
uma professora que me ganhou em uma única frase. Ela estava dando aula
de literatura e disse pra turma: "Lembra quando você era adolescente e
ficava pensando na vida escutando The Doors?". Eu não sou mais
adolescente mas eu nunca deixei de pensar na vida escutando The Doors.
Os caras vão e a música deles fica. Esta é a intensidade do rock.
E esta foi mais uma apresentação do espetáculo do meu coração. Ele chegou já como personagem, ranzinza de perua - uma perua bem velha - e colocou todas as suas coisas em cima do palco. Subiu para o camarim e viu meu universo particular - as minhas coisas escondidas - aquelas coisas que eu não levo para cena. Mais um dia de trabalho nesse espetáculo, o cardápio deste dia trazia como prato principal lasanha e sim, claro, tinha sobremesa, pavê de limão. Tinha toalha e sabonete liquido lux. Tinha tudo que poderia ter. E já tinha muito amor. A produção era precária sim, mas no espetáculo do meu coração, o amor, esse não falta nunca.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Partida
Não chorei. Não chorei porque de verdade, eu estava louca para ir embora.
Quando vi você ali suado, suor pingando no rosto misturando-se com lágrimas, eu pensei em chorar.
Eu lembrei de muitas coisas, por um momento risadas que ecoaram durante tantas madrugadas vinham em minha memória.
Banhos de mangueira, poesia, bebida, cigarros, frango de padaria.
Mas não. Porque eu pensei em tudo. TUDO.
Meu coração estava apertado e não era saudade não, era alívio mesmo.
Aquele alívio que eu só sentia ao apagar todas as luzes no fim do dia, lembra?
Você não lembra porque eu nunca te contei. Mas era lindo. Era lindo te ver sumindo na escuridão, sabe.
As flores nunca mais nasceram naquele jardim.
Quando vi você ali suado, suor pingando no rosto misturando-se com lágrimas, eu pensei em chorar.
Eu lembrei de muitas coisas, por um momento risadas que ecoaram durante tantas madrugadas vinham em minha memória.
Banhos de mangueira, poesia, bebida, cigarros, frango de padaria.
Mas não. Porque eu pensei em tudo. TUDO.
Meu coração estava apertado e não era saudade não, era alívio mesmo.
Aquele alívio que eu só sentia ao apagar todas as luzes no fim do dia, lembra?
Você não lembra porque eu nunca te contei. Mas era lindo. Era lindo te ver sumindo na escuridão, sabe.
As flores nunca mais nasceram naquele jardim.
domingo, 16 de dezembro de 2012
Gostava das curvas.
Há algum tempo que não torcia para ganhar um beijo depois de
uma carona ganha por causa de uma noite de chuva imprevisível. – Talvez tenha
me oferecido uma carona com segundas intenções, como costuma fazer com todas as
outras.
Não posso te deixar ir sozinha – dizia – você pode se
resfriar.
E pensou que diante daquela pontada logo acima de seu
umbigo, um resfriado era o de menos.
domingo, 25 de novembro de 2012
Humanas.
Não somente aquele lugar ficou vazio mas também as relações humanas que existiam ali foram esvaziadas, ficando fora dos espaços que deviam ocupar. Muros foram erguidos por todas as partes e muitas vezes tomei o impulso para pular mas parava no meio e pensava: "Não, eu não posso. Eu não posso mais com isso" e ficava imóvel no mesmo lugar.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
História de uns bonecos ou venha conosco e seremos alegres!
Para todos os bonecos de madeira, fadas, gatos, raposas, grilos, baleias, Gepetos, Pavios e Pinóquios.
Era uma vez.....
Era uma vez.....
- Um pedaço de pau!
Não, meninos, vocês se enganaram. Era uma vez MUITOS pedaços
de pau, mas apenas 40 deles foram escolhidos para trabalhar dentro de um livro,
um livro mágico! E por isso, mereceram virar pequenos bonecos de pau.
Então, a fada, usando uma camiseta de time de baseball,
marias-chiquinhas e óculos disse:
- Vocês serão divididos em três equipes: manhã, tarde e
noite! Serão cinco meses dentro do livro. Algumas pessoas virão aqui visitar o
livro e vocês é que vão acolher essas pessoas!
Diante disso, alguns bonecos ficaram com medo:
- Acolher?
E aí a Fada, antes de chamar os bonecos para entrar no
livro, explicou tudo: qual era a estória deste livro, porque essa estória
existia, quais partes da estória estavam lá. Fez um sinal juntando o dedo indicador com médio e o anelar com o mínimo, separando-os e disse:
- Confio em vocês.
Ao escutar isso, todos sentiram o significado desta palavra
chamada Acolher. E muitos significados foram descobertos nestes cinco meses.
Mas apesar de serem bonecos de madeira, sentiam calor, fome,
sede, frio e medo. Mas, não eram meninos de verdade, apesar de tudo isso, eram
apenas bonecos de madeira, queridos leitores.
O livro era gigante, cabiam muitas pessoas dentro dele ao
mesmo tempo, inclusive nos dias de calor. Algumas foram as dificuldades destes bonecos
em acolher tantas pessoas dentro deste livro e acolher uns aos outros, mas eles
chamaram isso de Aprendizado.
Isto, o Aprendizado era o que faltava para que eles virassem
meninos de verdade no final daqueles cinco meses. E por mais que eles
trabalhassem, virar menino de verdade, era difícil porque......dependia do
outro. Afinal, eram três equipes que formavam uma grande equipe! Tinham de
virar meninos de verdade juntos.
Conscientes disso passaram a procurar todas as formas possíveis
para virar meninos de verdade, mas este outro da qual eles dependiam não estava
somente entre eles, mas estava também do lado de fora: eram as pessoas que
entravam dentro deste livro. Era preciso então, conseguir um Aprendizado com as
pessoas de fora e de dentro.
E eles conseguiram um dia se transformar porque o olhar do
outro melhorava o olhar deles, destes bonecos de madeira. Ao entrar no livro,
as pessoas ficavam encantadas e isso era transformador. Cada gesto, sorriso,
olhar, resposta que recebiam de volta faziam com que fosse menos pau e mais
humanos.
Um dia, estes bonecos de pau foram virando meninos de verdade.
Um por um, como se estivessem em um corredor em que você entra boneco e sai
menino. Depois de se transformar, alguns riam e diziam:
- Como eu era engraçado quando eu era um boneco!
Alguns choravam, depois de virar menino de verdade, cada um
deles seguiria um caminho e talvez não fossem mais se encontrar. Outros, não
conseguiam chorar, nem rir, se abraçavam e diziam o que haviam aprendido uns
com os outros, agradeciam por aquela experiência.
Mas do lado de fora do livro, tudo sorria: as paredes, as escadas,
os elevadores, os sofás, as mesas, as cadeiras. Até a piscina sorria.
É que de tudo fica um pouco e quando os bonecos se tornam
meninos de verdade, todas as coisas ganham um aspecto novo e sorridente.
(Este miniconto partiu da experiência do meu estágio na exposição "Pinóquio: uma Bela Arte" no Sesc Belenzinho. Algumas falas eu ouvi durante o processo, outras são do livro do Pinóquio, do escritor Carlo Collodi)
(Este miniconto partiu da experiência do meu estágio na exposição "Pinóquio: uma Bela Arte" no Sesc Belenzinho. Algumas falas eu ouvi durante o processo, outras são do livro do Pinóquio, do escritor Carlo Collodi)
Deste lugar
E essa timidez que chega como quem não quer nada, tomando conta do meu corpo e da minha voz, me deixando sem resposta diante de alguém que representa muitas coisas.
Não há o que fazer, eu sorrio meio boba. Talvez o meu corpo diga mais do que a minha fala.
Talvez o meu toque me represente. Talvez o meu corpo preenchendo o espaço do seu, venha a calhar.
A calhar com essa sensação louca, esse pedido louco do meu coração de não querer que este abraço acabe nunca.
Eu digo palavras que depois percebo serem repetitivas e sem criatividade.
A minha criatividade, a minha eloquência, o meu chão. Você levou com você.
domingo, 14 de outubro de 2012
Constatação.
Algumas pessoas devem estar tão acostumadas com elogios que dizer - Você é foda, eu te admiro - pode parecer um pleonasmo.
domingo, 7 de outubro de 2012
Síntese
Comecei a escrever em um diário que eu ganhei no meu aniversário de 6
anos. Quando eu tinha 12 anos comecei a escrever em um blog. E continuo
até hoje. Durante todo este tempo parei muitas vezes mas depois de
entrar no curso de Letras resolvi me aceitar. Aceitar que a escrita me
possibilita viver o que sem ela seria impossível. Meus pensamentos e
minha imaginação não cabem em mim, por isso, eu escrevo.
(Eu tenho um jornal. Em outro post conto sobre ele. Eu precisava de um perfil para o nosso site e foi muito difícil conseguir sintetizar minha relação com o ato de escrever. Este é o produto final que coloco aqui porque espero poder organizar este blog um dia.)
(Eu tenho um jornal. Em outro post conto sobre ele. Eu precisava de um perfil para o nosso site e foi muito difícil conseguir sintetizar minha relação com o ato de escrever. Este é o produto final que coloco aqui porque espero poder organizar este blog um dia.)
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Contradições
Era tão auto-suficiente mas tão auto-suficiente que além de se masturbar, lambia as próprias feridas.
Apesar disso, sentia-se só durante aquele momento do dia em que o sol vai embora e o céu fica misto de roxo com laranja.
Apesar disso, sentia-se só durante aquele momento do dia em que o sol vai embora e o céu fica misto de roxo com laranja.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Cabelo ao vento
Nunca mais fomos meninas boazinhas depois daquele dia.
Depois daquele dia vestir roupa preta virou regra de sobrevivência, insistir no esmalte vermelho questão de ordem, dançar o rocknroll sintoma de liberdade.
Sempre havia bebida. A cachaça e o vinho estariam sempre lá para recepcionar as cervejas que chegavam depois mas eram hóspedes bem-vindas naquela geladeira.
As pequenas coisas da vida existiam para salvar as nossas vidas. Os namorados, os amigos, os gatos, a indústria farmacêutica, as risadas que ecoavam dentro da madrugada.
E tudo isso - eu não costumava dizer - era chamado carinhosamente por mim de Poesia.
Depois daquele dia vestir roupa preta virou regra de sobrevivência, insistir no esmalte vermelho questão de ordem, dançar o rocknroll sintoma de liberdade.
Sempre havia bebida. A cachaça e o vinho estariam sempre lá para recepcionar as cervejas que chegavam depois mas eram hóspedes bem-vindas naquela geladeira.
As pequenas coisas da vida existiam para salvar as nossas vidas. Os namorados, os amigos, os gatos, a indústria farmacêutica, as risadas que ecoavam dentro da madrugada.
E tudo isso - eu não costumava dizer - era chamado carinhosamente por mim de Poesia.
domingo, 23 de setembro de 2012
Pequenas surpresas.
Naquele dia não queria ter dito tchau. Queria um tempo elástico e dilatado que durasse muito mais.
Queria ir jantar e beber algum drink cheio de simpatia batida com doçura. Queria ouvi-lo dizer qualquer coisa.
Ele chegou atrasado embora dissesse ter adorado conhece-la. Essa foi a primeira vez em que acreditou ter ouvido algo sério da parte dele.
Chegou ao pé do ouvido e disse - Adorei te conhecer. Falta de sensibilidade dela, quem sabe. Talvez ele já tivesse sido sério muitas vezes, ela quem nunca havia percebido.
A ambiguidade das palavras e gestos também era encantadora e diante isso, a seriedade ou falta dela, ficavam em segundo plano.
Aquele cara sabia muitas coisas. Inclusive fazê-la sorrir. Sem nenhum esforço.
Queria ir jantar e beber algum drink cheio de simpatia batida com doçura. Queria ouvi-lo dizer qualquer coisa.
Ele chegou atrasado embora dissesse ter adorado conhece-la. Essa foi a primeira vez em que acreditou ter ouvido algo sério da parte dele.
Chegou ao pé do ouvido e disse - Adorei te conhecer. Falta de sensibilidade dela, quem sabe. Talvez ele já tivesse sido sério muitas vezes, ela quem nunca havia percebido.
A ambiguidade das palavras e gestos também era encantadora e diante isso, a seriedade ou falta dela, ficavam em segundo plano.
Aquele cara sabia muitas coisas. Inclusive fazê-la sorrir. Sem nenhum esforço.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Maria Eduarda
Eu nunca vou esquecer da Maria. Quando chegou, Maria foi logo dizendo: - Oi, eu sou nova!
Depois ela estava no grupo que eu iria levar para visitar a exposição de arte. Quando eu disse meu nome, ela disse o dela.
Disse que nossos nomes eram parecidos e notei que o sotaque era diferente. A professora disse que ela era de Portugal.
Eu fiquei encantada, perguntei de onde ela era e ela disse "Sinos" mas por causa do último S não pude compreender.
Perto de onde, eu perguntei. Mira, Penafiel, Boelhe, Coimbra, Porto, Minho? Recitei todas as cidades que eu sabia, na verdade não conheço cidade nenhuma apenas sei os nomes de algumas universidades de lá.
E ela disse que ficava perto de Coimbra. Cu-im-bra.
Maria era a única que já tinha ido em uma exposição de arte. Ela disse que em Portugal tem exposições com quadros e esculturas.
No final do passeio, perguntei o que ela tinha visto na exposição daqui que não tinha lá. E ela disse: Mistério!
Em todos os momentos daquela 1h20 de visita tentei disfarçar que a criança mais interessante era a Maria.
E até quando a outra garotinha me contou ser filha de um chinês. Neste dia as crianças se juntaram para falar que me amavam.
Um amor de 1h20. Outras crianças passaram por mim e me amaram depois disso.
Ainda assim, eu nunca vou esquecer da Maria.
Depois ela estava no grupo que eu iria levar para visitar a exposição de arte. Quando eu disse meu nome, ela disse o dela.
Disse que nossos nomes eram parecidos e notei que o sotaque era diferente. A professora disse que ela era de Portugal.
Eu fiquei encantada, perguntei de onde ela era e ela disse "Sinos" mas por causa do último S não pude compreender.
Perto de onde, eu perguntei. Mira, Penafiel, Boelhe, Coimbra, Porto, Minho? Recitei todas as cidades que eu sabia, na verdade não conheço cidade nenhuma apenas sei os nomes de algumas universidades de lá.
E ela disse que ficava perto de Coimbra. Cu-im-bra.
Maria era a única que já tinha ido em uma exposição de arte. Ela disse que em Portugal tem exposições com quadros e esculturas.
No final do passeio, perguntei o que ela tinha visto na exposição daqui que não tinha lá. E ela disse: Mistério!
Em todos os momentos daquela 1h20 de visita tentei disfarçar que a criança mais interessante era a Maria.
E até quando a outra garotinha me contou ser filha de um chinês. Neste dia as crianças se juntaram para falar que me amavam.
Um amor de 1h20. Outras crianças passaram por mim e me amaram depois disso.
Ainda assim, eu nunca vou esquecer da Maria.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Outras coisas da vida.
Eu estou apaixonada por um carinha aí. O nome dele é Antonio.
Antonio Lobo Antunes. Ainda não nos conhecemos muito bem mas acho que quando
isso acontecer de fato, nos daremos muito bem. Sei que ele foi pra guerra, sei
que ele é médico e sei que ele mora num lugar lá longe chamado Europa. Muitas
pessoas falam sobre ele e até escrevem sobre ele! Outras, menos importantes tem
que fazer pesquisas sobre ele para ganhar nota na graduação. E outras nem sabem
que ele existe. Ouvi dizer que ele toma gelados depois das tardes de autógrafo
que ele faz. Bom, pelo menos foi isso que eu li em um livro que ele mesmo escreveu. Esqueci de mencionar que ele é
escritor, por isso o mundo dele é sensível e todas as imagens tornam-se
palavras. Na verdade nosso amor nunca acontecerá realmente. Mas eu também
escrevo e neste caso, todos meus amores impossíveis tornam-se possíveis, ao
menos aqui.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Outra estrada
Aquela garota me deixou. Me trocou por outra que julgou mais interessante que eu, talvez.
Me largou febril e doente em um quartinho sujo de hotel no México. Naquele dia agonizei e muitas foram as coisas que passaram pela minha cabeça.
Um dia ela volta, eu pensei.
E voltou.
Mas eu já estava em outra.
Me largou febril e doente em um quartinho sujo de hotel no México. Naquele dia agonizei e muitas foram as coisas que passaram pela minha cabeça.
Um dia ela volta, eu pensei.
E voltou.
Mas eu já estava em outra.
sábado, 26 de maio de 2012
Hendrix
Eu acordei de mau humor hoje, meu querido. Eu estou que não me aguento.
Não, não é uma tpm. Isso é coisa da modernidade.
Eu não teria capacidade de perceber que os peitos incham e as espinhas aparecem caso não soubesse quando entro naqueles dias. Não sei quando isso acontece, portanto. Sei que a cota deste mês já foi. Então, gosto mais de ser "de lua" do que ter uma "contratempo" moderno.
Acordei cedo mais uma vez, darei conta da pilha de louça enquanto escuto teus acordes, tua voz.
Obrigada por vir me visitar hoje.
Estamos passando por tempos difíceis.
*Inicio aqui a nova série deste blog com esta republicação do meu blog pessoal.
Não, não é uma tpm. Isso é coisa da modernidade.
Eu não teria capacidade de perceber que os peitos incham e as espinhas aparecem caso não soubesse quando entro naqueles dias. Não sei quando isso acontece, portanto. Sei que a cota deste mês já foi. Então, gosto mais de ser "de lua" do que ter uma "contratempo" moderno.
Acordei cedo mais uma vez, darei conta da pilha de louça enquanto escuto teus acordes, tua voz.
Obrigada por vir me visitar hoje.
Estamos passando por tempos difíceis.
*Inicio aqui a nova série deste blog com esta republicação do meu blog pessoal.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Sobre a maturidade.
Eu já fui uma grande revolucionária, também. Minha mãe trocava a minha fralda, trazia o tetê, ligava a tv no desenho e quando algo não estava bom eu reivindicava aos berros mais chocolate no toddynho. Mais tarde, eu pedia paralisação imediata, esse era o meu único instrumento de luta, então, eu abria a porta e gritava: - Pronto, mãaaae!. E aí ela vinha me limpar. Quando ela não aceitava minhas condições de revolução, eu fazia piquete: Espalhava todos meus brinquedos pela casa. E eu ficava bravinha quando ela pedia (não tão gentilmente) para que eu guardasse tudo. Eu também gritava, batia as portas e fazia minha liberdade de expressão na parede. Se trancou no quarto com o papai? Eu chuto a porta e ocupo.
Não gostava da escola, fazia birra e batia o pé. Eu dormia nas aulas, a mensalidade era eles que pagavam afinal de contas.
Meus professores eram todos uns assalariados, burgueses, neoliberais e pós modernos.
Hoje em dia fazer a revolução tornou-se difícil: Tenho que pagar por todas as revoluções feitas por mim.
(Achei este texto perdido na área de trabalho do computador, não ia publicar porque ele é muito diferente dos outros textos deste blog e acho até que destoa um pouco. Contudo, um dia, vou separar os textos em páginas, dividindo-os por gêneros e assuntos, então, a diversidade também é bem-vinda.)
Cada vez menor.
Uma garoa fina que insiste em cair nesta manhã inibindo a organização de meus tortuosos pensamentos.
Ela dorme em meus braços, com a respiração ofegante, sem se importar com mais nada.
Os carros derrapam na aquaplanagem do fim da ladeira fazendo barulho.
Um dia como todos os outros dias, tantos outros dias.
Assim sempre, sempre assim, assim tem sido.
Não é um motivo para chorar.
Depois chega o sol.
Assim espero.
É, espero.
Sorrio.
(A estrutura deste texto é em escada, ou seja, ela começa com linhas maiores e vai diminuindo como se fossem degraus. Aqui não foi possível deixar com esta configuração)
terça-feira, 22 de maio de 2012
Eu não quero perder o equilíbrio.
Escrever era a única salvação que havia para que pudesse escapar da forca, portanto.
Escrevia até que seus dedos ficassem em carne viva.
E doía. Não podia chorar de dor, portanto escrevia.
Escrevia até que seus dedos ficassem em carne viva.
E doía. Não podia chorar de dor, portanto escrevia.
Nuvem negra.
Quando chegou, o colchão estava no corredor, com mais pontos de mofos do que outrora.
- O que aconteceu, aqui? - ela perguntou incrédula. - Choveu e entrou água dentro do seu quarto.
Aquele quarto. Passou alguns tantos infelizes anos de sua vida ali.
O chão cheio d'água e a cabeceira descascando, havia bebido muita água, a pobre.
- Por que não me avisaram? Olha o estado desta cabeceira! Ela está destruída.
- Nós já chamamos alguém para ver isso.
- Mas e a cabeceira? O colchão? Eu não tenho dinheiro para comprar outra cabeceira e outro colchão!
- Eu te compro outros!
Dinheiro nunca havia sido o problema por ali, na verdade. O problema era como este dinheiro vinha sendo aplicado nos últimos 10 anos.
Mudou os móveis e as coisas de lugar muitas vezes por causa da água da chuva que insistia em descer pelas paredes, pingar do teto ou entrar pela porta.
Dessa vez, percebeu, teria que encontrar por fim lugares definitivos. Para as coisas, pessoas e lembranças existentes ali.
A história de Beethoven e sua pedra no rim.
Quando conheci Beethoven, ele era um rapaz que eu encarava com alguma estranheza e encanto porque ele é diferente dos outros rapazes mas é igualzinho ao rapaz que eu idealizava em meus sonhos mais profundos.
Houve uma época muito triste em que eu não encontrava Beethoven porque ele tinha cólicas renais e não ia para a faculdade, portanto.
Eu olhava com algum desespero para fora da sala 1, esperando que ele aparecesse e por vezes ele não aparecia. Ele estava muito longe.
Hoje Beethoven está muito perto. E isso me deixa feliz todos os dias ao acordar e antes de dormir. Aqui na toca do escorpião é tudo muito simples. Beethoven fica escondidinho dentro dela quando sente dor no rim.
Todavia, agora as coisas são diferentes. Ainda com a dor no rim, eu posso abracá-lo.
Posso abraçá-lo e chamá-lo de meu.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Cotidiano
Sozinha como em todas as manhãs, pediu seu yakissoba individual que não tardou a chegar.
Acostumou-se a fazer suas refeições sozinha ainda que detestasse esta parte da solidão. Da sala, escutava Jim cantando. L.A. Woman. Ele e seus amigos mortos sempre cantavam para ela.
Seu biscoito da sorte viera com duas sortes, divertiu-se pensando se tudo estaria tão podre para ser necessário duas sortes. Depois chegou a conclusão que sim, está tudo podre. E várias sortes se fazem necessárias.
Abriu uma lata de cerveja e dançou sozinha o Roadhouse Blues. Outras latas de cerveja foram abertas depois.
Esquecer era sua proposta de passatempo pr'aquela tarde vazia.
Acostumou-se a fazer suas refeições sozinha ainda que detestasse esta parte da solidão. Da sala, escutava Jim cantando. L.A. Woman. Ele e seus amigos mortos sempre cantavam para ela.
Seu biscoito da sorte viera com duas sortes, divertiu-se pensando se tudo estaria tão podre para ser necessário duas sortes. Depois chegou a conclusão que sim, está tudo podre. E várias sortes se fazem necessárias.
Abriu uma lata de cerveja e dançou sozinha o Roadhouse Blues. Outras latas de cerveja foram abertas depois.
Esquecer era sua proposta de passatempo pr'aquela tarde vazia.
Casinha
Vem, vem aqui. Agora eu sei passar um café.
E o bolo de caixinha que eu aprendi a fazer, foi a minha revolução.
Tem uma toalha xadrez e tem música, tem filme, tem livros.
Tem gato e tem comidinha. No meu coração cabe tudo, tudo nesta casinha.
Pode vir, vem que também tem poesia.
E o bolo de caixinha que eu aprendi a fazer, foi a minha revolução.
Tem uma toalha xadrez e tem música, tem filme, tem livros.
Tem gato e tem comidinha. No meu coração cabe tudo, tudo nesta casinha.
Pode vir, vem que também tem poesia.
terça-feira, 24 de abril de 2012
As jiboias engolem sem mastigar a presa inteira.
I
Pior do que eu poderia ter imaginado. Chegaram em bandos como animais, como urubus atrás de carniça fresca.
Antes que eu pudesse esboçar qualquer reação, a vi. Soterrada em meio a multidão. Ela estava lá, tão pequena e tão grande. Sempre de cabeça erguida, como me ensinara dias atrás.
II
Há algum tempo eu poderia ter chorado. Já fui mais fraca, mais frágil, mais sensível.
Vai ver que foi o tempo que me deixou assim: Dura. Dura de corpo duro, coração duro e pulsos duros. Essas cicatrizes e novos hematomas que insistem em aparecer não me deixam mentir. Eu não nasci assim. Este peso que eu uso para permanecer sentada nesta carteira é fruto do tempo. E da minha educação.
(Textos escritos em meu diário durante o sarau dos ditadores)
sábado, 21 de abril de 2012
O dia em que eu me apaixonei pelo Bob Dylan
Ela tinha 16 anos. Era um dia como todos os outros. Acordou de mau humor, desceu para a cozinha, tomou um cappuccino na sua caneca preferida, foi até o banheiro, fez xixi e escovou os dentes, voltou para o quarto, vestiu o uniforme da escola todo surrado e jogou o material escolar na mochila.
Foi torcendo pra morrer no percurso do quarto até o carro, mas não deu certo. Entrou no carro e do banco de trás pediu ao pai para que sintonizasse o rádio na rádiorock.
Começou a tocar uma canção que havia tocado na mesma hora, mesmo lugar no dia anterior. Achou que não conhecia a música ou não lembrava de conhecer. Pela sonoridade e pela voz, presumiu que fosse do Bob Dylan, mesmo sem conhecer muito bem o cara.
Sabe, quando você escuta uma canção e se apaixona na mesma hora? É isso. Agora chamaria isso de formação discursiva, mas naquele dia não encontrou explicação.
Entorpecida, batendo a cabeça no banco do carro de casa até a escola. O mundo passava a ser seu quando escutava alguma canção que a fascinava.
Não desceu do carro até o locutor falar de quem era aquela canção. Era do Bob Dylan mesmo.
E ele era fantástico. Meu Deus do céu, que violão, que gaita, que voz, que pagada.
A canção como descobriu após vasculhar a discografia dele chama-se "The Hurricane".
E permaneceu em sua cabeça, junto com a voz de Bob Dylan o dia todo.
Será que amanhã ele virá novamente? – ela pensava.
Já ouvi dizer que quando passamos muito tempo pensando na mesma pessoa e ficamos esperando pra encontrá-la todos os dias, é porque estamos apaixonados.
(Este texto eu escrevi no dia 14 de fevereiro de 2007. Revisei e passei a narração para terceira pessoa. Este episódio aconteceu de verdade. Neste mesmo ano Bob Dylan fez um show no Brasil que eu não puder ir porque eu estava ensaiando a peça "Primavera". Amanhã Bob Dylan fará uma apresentação em São Paulo e eu estarei lá.)
Foi torcendo pra morrer no percurso do quarto até o carro, mas não deu certo. Entrou no carro e do banco de trás pediu ao pai para que sintonizasse o rádio na rádiorock.
Começou a tocar uma canção que havia tocado na mesma hora, mesmo lugar no dia anterior. Achou que não conhecia a música ou não lembrava de conhecer. Pela sonoridade e pela voz, presumiu que fosse do Bob Dylan, mesmo sem conhecer muito bem o cara.
Sabe, quando você escuta uma canção e se apaixona na mesma hora? É isso. Agora chamaria isso de formação discursiva, mas naquele dia não encontrou explicação.
Entorpecida, batendo a cabeça no banco do carro de casa até a escola. O mundo passava a ser seu quando escutava alguma canção que a fascinava.
Não desceu do carro até o locutor falar de quem era aquela canção. Era do Bob Dylan mesmo.
E ele era fantástico. Meu Deus do céu, que violão, que gaita, que voz, que pagada.
A canção como descobriu após vasculhar a discografia dele chama-se "The Hurricane".
E permaneceu em sua cabeça, junto com a voz de Bob Dylan o dia todo.
Será que amanhã ele virá novamente? – ela pensava.
Já ouvi dizer que quando passamos muito tempo pensando na mesma pessoa e ficamos esperando pra encontrá-la todos os dias, é porque estamos apaixonados.
(Este texto eu escrevi no dia 14 de fevereiro de 2007. Revisei e passei a narração para terceira pessoa. Este episódio aconteceu de verdade. Neste mesmo ano Bob Dylan fez um show no Brasil que eu não puder ir porque eu estava ensaiando a peça "Primavera". Amanhã Bob Dylan fará uma apresentação em São Paulo e eu estarei lá.)
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Minicontos
I
Você me encontrará jogada na sarjeta com um maço de cigarros amassados em meu bolso traseiro e uma garrafa de pinga barata em mãos.
Dessa vez nem os cachorros de rua lamberão as minhas feridas, eu estarei toda imunda com as roupas rasgadas e as unhas por fazer.
Meu tênis desamarrado e o meu cabelo ensebado deixarão claro que eu desisti.
Eu desisti de tudo, de mim e de você.
Eu desisti da vida.
Agora eu larguei os cavalos e aposto apenas em meus delírios.
II
Não. Não vá embora por favor. Fica, fica, eu preparo o teu jantar.
Eu te dou um banho quente, eu ponho a mesa, eu faço o café. Eu te empresto o meu cobertor.
Eu....eu te dou aquele meu disco que você gostava tanto, sim, aquele que escutamos em nosso primeiro encontro, sabe?
Eu lembro de quando você chegou. Você me ofereceu um cigarro e eu aceitei fazer parte da sua vida, pra sempre.
Por favor, fica. Está chovendo, você vai se molhar e ficar doente. Não quero que você fique doente. Minhas aspirinas acabaram na semana passada.
Não vá, te peço.
III
Depois daquele dia as coisas nunca mais foram as mesmas. Estariam agora condicionados a fazer as refeições em silêncio escutando apenas o chiado vindo da televisão.
Você está errado, cara - ela disse - você está sempre errado.
Jamais assumiriam para si mesmos mas havia o cachorro. O cachorro o qual nenhum dos dois estava disposto a abrir mão.
Você me encontrará jogada na sarjeta com um maço de cigarros amassados em meu bolso traseiro e uma garrafa de pinga barata em mãos.
Dessa vez nem os cachorros de rua lamberão as minhas feridas, eu estarei toda imunda com as roupas rasgadas e as unhas por fazer.
Meu tênis desamarrado e o meu cabelo ensebado deixarão claro que eu desisti.
Eu desisti de tudo, de mim e de você.
Eu desisti da vida.
Agora eu larguei os cavalos e aposto apenas em meus delírios.
II
Não. Não vá embora por favor. Fica, fica, eu preparo o teu jantar.
Eu te dou um banho quente, eu ponho a mesa, eu faço o café. Eu te empresto o meu cobertor.
Eu....eu te dou aquele meu disco que você gostava tanto, sim, aquele que escutamos em nosso primeiro encontro, sabe?
Eu lembro de quando você chegou. Você me ofereceu um cigarro e eu aceitei fazer parte da sua vida, pra sempre.
Por favor, fica. Está chovendo, você vai se molhar e ficar doente. Não quero que você fique doente. Minhas aspirinas acabaram na semana passada.
Não vá, te peço.
III
Depois daquele dia as coisas nunca mais foram as mesmas. Estariam agora condicionados a fazer as refeições em silêncio escutando apenas o chiado vindo da televisão.
Você está errado, cara - ela disse - você está sempre errado.
Jamais assumiriam para si mesmos mas havia o cachorro. O cachorro o qual nenhum dos dois estava disposto a abrir mão.
Vou falar.
Adoro essa parte de quebrar a quarta parede e conversar com o público, olhar no olho e falar - Oi, que bom que está aqui.
Isso eu trago do teatro embora caiba em todas as outras coisas da vida também, o diálogo - amo isso.
E por falar em diálogo, gostaria de aproveitar este post para agradecer muito as visitas que tenho recebido aqui.
Na verdade eu escrevo mais para mim do que para o outro, no entanto, o outro é sempre importante, muito importante.
Como eu mencionei ali embaixo estou tentando organizar este espaço, bom, aceito sugestões sobre como dividi-lo.
Confesso que ainda com as aulas no curso de letras sinto dificuldades para dividi-los em gêneros.
Outras sugestões também são bem-vindas, críticas também. Caso vocês percebam falhas e erros de escritas, me avisem por favor.
Ah, tem um link para comentários embaixo dos textos é só clicar e comentar, o espaço é aberto.
Beijos no coração.
Isso eu trago do teatro embora caiba em todas as outras coisas da vida também, o diálogo - amo isso.
E por falar em diálogo, gostaria de aproveitar este post para agradecer muito as visitas que tenho recebido aqui.
Na verdade eu escrevo mais para mim do que para o outro, no entanto, o outro é sempre importante, muito importante.
Como eu mencionei ali embaixo estou tentando organizar este espaço, bom, aceito sugestões sobre como dividi-lo.
Confesso que ainda com as aulas no curso de letras sinto dificuldades para dividi-los em gêneros.
Outras sugestões também são bem-vindas, críticas também. Caso vocês percebam falhas e erros de escritas, me avisem por favor.
Ah, tem um link para comentários embaixo dos textos é só clicar e comentar, o espaço é aberto.
Beijos no coração.
O espetáculo do meu coração.
Eu não estou aberta para negociações. Aqui dentro está sendo montado o espetáculo do meu coração e eu não vou trocar o protagonista. Não vou, por mais complicado, mais louco, mais insano, mais insólito que seja, não vou. Não se fazem mais artistas assim, em lugar nenhum. E eu demorei pra conseguir selecionar, foi um rigoroso teste de seleção e ele passou em todas as milhares de fases com boas notas. E hoje a nota de corte já está muito alta, ninguém é capaz de alcançá-lo. Até parece que tenho que subir montanhas para conseguir um beijo, fazer cara de doce para conseguir um abraço, mover mil neorônios para conseguir uma resposta. Pois é, eu faço escolhas dificeis e esse é mais um dia de ensaio do espetáculo do meu coração. É lindo, tudo lindo. Sei que ele vai chegar com uma cena linda, amarrada numa música que ele mesmo criou. Sei que haverão imagens lindas do começo ao fim, todas executadas com tranquilidade e segurança de mestre. Ao final de cada ensaio, beberemos Brahma, com a conta dividida. Não dá mais, daqui a pouco estamos estreando. Não vamos nos apegar em nomenclaturas, exercícios rasos. O tempo passa rápido né? Se as coisas fossem fáceis não teriam a menor graça. Eu aprendi a transformar. Se não dá pra ser, eu transformo. Só não quero ter que trocar o protagonista agora. Foram alguns anos trabalhando nisso. Sabe, como é. Ele chegou tomando conta do espaço, roubou a cena. Talvez tenha sido só mais alguma coisa que ele andou levando consigo sorrateiramente, como aquele livro. E quando é assim, desculpa, não dá. Não dou, não empresto, não troco o meu protagonista. Não desisto. E não adianta insistir. Eu não estou aberta para negociações.
(Este texto foi escrito dia 19 de julho de 2009 e o título original era "partindo ainda daquela improvisação" escrevi depois de um dia de improviso livre que fizemos. Este blog na verdade, também conta com textos que eu já havia publicado em outros blogs. Estou fazendo isso para arquivar tudo que eu acho razoável em um lugar só. Fazia muito tempo que eu não relia este texto, hoje eu pensei: Eita, eu escrevi isso?)
(Este texto foi escrito dia 19 de julho de 2009 e o título original era "partindo ainda daquela improvisação" escrevi depois de um dia de improviso livre que fizemos. Este blog na verdade, também conta com textos que eu já havia publicado em outros blogs. Estou fazendo isso para arquivar tudo que eu acho razoável em um lugar só. Fazia muito tempo que eu não relia este texto, hoje eu pensei: Eita, eu escrevi isso?)
Cacofônico
Pensei que fosse chorar. O dia começou magoado e acho que não vai melhorar.
Alguma coisa de dentro de mim morreu hoje e essa coisa se chamava esperança.
Ela morava ao lado do orgulho dentro do coração. A solidão passou aqui e a levou para longe, muito longe.
O resto que ficou era o silêncio. Depois daquilo só o silêncio nos tiraria dali. Eu queria dormir e só acordar depois de muito tempo.
Copos de vidro sendo quebrados como o meu coração, agora em pedaços espalhados pelo chão de piso frio de um boteco de esquina qualquer.
(Este texto era dois mas deixei que ele fosse um só, como eu: só)
Alguma coisa de dentro de mim morreu hoje e essa coisa se chamava esperança.
Ela morava ao lado do orgulho dentro do coração. A solidão passou aqui e a levou para longe, muito longe.
O resto que ficou era o silêncio. Depois daquilo só o silêncio nos tiraria dali. Eu queria dormir e só acordar depois de muito tempo.
Copos de vidro sendo quebrados como o meu coração, agora em pedaços espalhados pelo chão de piso frio de um boteco de esquina qualquer.
(Este texto era dois mas deixei que ele fosse um só, como eu: só)
domingo, 15 de abril de 2012
Noite feliz
O aniversário chegou mais cedo neste ano. Ganhou uma caixa de livros dela, a moça da caixa de livros. Uma caixa cheia deles.
- Vem aqui no carro, você pode escolher quais livros você quer levar.
Livros são como animais e pessoas disponíveis na adoção. É doloroso não poder escolher todos, contudo, desta vez podia.
Sem ação disse um "ahh?" e lá estava a caixa, organizada com os livros empilhados.
Meio descrente observou enquanto eles mexiam nos livros. Um deles havia uma dedicatória.
- Olha, este aqui tem uma dedicatória, você não vai pegar de volta?
- Este? Não, ela não é mais minha amiga, pode levar.
Sentiu uma tristeza horrível ao escutar isso. Alguém teve a oportunidade de estar ali, naquele coração e não estava mais.
Por outro lado, uma caixa de livros anunciava uma porta aberta, se alguém estivera ali e não estava mais, havia espaço livre, portanto.
Disse um obrigada provavelmente vazio diante de uma caixa de livros, um gesto tão generoso.
Chegou em casa e depositou a caixa no piso de madeira. Sentada com as pernas em volta da caixa pegou um por um dos livros como em uma manhã de natal em que se acredita que o Papai Noel esteve ali deixando um presente maravilhoso debaixo do pinheirinho cheio de bolas e anjos pudicos com harpas, pisca-pisca com defeito e cheiro de mato.
Um Cesário Verde chamou a atenção. Cheio de anotações dentro de suas páginas guardando memórias de um aprendizado.
Sobre isso, ela, a moça da caixa de livros, já havia comentado anteriormente em outra ocasião:
- Os textos estão anotados assim porque é livro de professor, vocês sabem!
Sabia. Anotações feitas por uma letra agora já familiar. Outrora brincou de analisar grifo por grifo de uma xerox. O texto deveria estar demasiadamente chato, mas agora as coisas seriam diferentes, depois de uma caixa de livros seu problema de concentração com certeza seria curado.
Folheou o Cesário Verde, tão cânone, tão distante. Ranz disse uma vez que quando alguém trazia algo de sua casa, este algo vinha com o cheiro da casa de origem.
Pandora reconheceu o cheiro dos gatos, visto que não queria sair da caixa de forma alguma.
E o Camões guardava dentro de si um fio de cabelo dela. Deixou ali.Encantada com o presente, a caixa de livros, pensou que algumas pessoas é que são um presente. Um presente muito grande.
- Vem aqui no carro, você pode escolher quais livros você quer levar.
Livros são como animais e pessoas disponíveis na adoção. É doloroso não poder escolher todos, contudo, desta vez podia.
Sem ação disse um "ahh?" e lá estava a caixa, organizada com os livros empilhados.
Meio descrente observou enquanto eles mexiam nos livros. Um deles havia uma dedicatória.
- Olha, este aqui tem uma dedicatória, você não vai pegar de volta?
- Este? Não, ela não é mais minha amiga, pode levar.
Sentiu uma tristeza horrível ao escutar isso. Alguém teve a oportunidade de estar ali, naquele coração e não estava mais.
Por outro lado, uma caixa de livros anunciava uma porta aberta, se alguém estivera ali e não estava mais, havia espaço livre, portanto.
Disse um obrigada provavelmente vazio diante de uma caixa de livros, um gesto tão generoso.
Chegou em casa e depositou a caixa no piso de madeira. Sentada com as pernas em volta da caixa pegou um por um dos livros como em uma manhã de natal em que se acredita que o Papai Noel esteve ali deixando um presente maravilhoso debaixo do pinheirinho cheio de bolas e anjos pudicos com harpas, pisca-pisca com defeito e cheiro de mato.
Um Cesário Verde chamou a atenção. Cheio de anotações dentro de suas páginas guardando memórias de um aprendizado.
Sobre isso, ela, a moça da caixa de livros, já havia comentado anteriormente em outra ocasião:
- Os textos estão anotados assim porque é livro de professor, vocês sabem!
Sabia. Anotações feitas por uma letra agora já familiar. Outrora brincou de analisar grifo por grifo de uma xerox. O texto deveria estar demasiadamente chato, mas agora as coisas seriam diferentes, depois de uma caixa de livros seu problema de concentração com certeza seria curado.
Folheou o Cesário Verde, tão cânone, tão distante. Ranz disse uma vez que quando alguém trazia algo de sua casa, este algo vinha com o cheiro da casa de origem.
Pandora reconheceu o cheiro dos gatos, visto que não queria sair da caixa de forma alguma.
E o Camões guardava dentro de si um fio de cabelo dela. Deixou ali.Encantada com o presente, a caixa de livros, pensou que algumas pessoas é que são um presente. Um presente muito grande.
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